Glossário

Política sem complicação

Os termos que aparecem nas eleições, no Congresso e nos dados da Base, explicados em poucas linhas e sem juridiquês.

Como funcionam as eleições

Como funcionam as eleições

A cada dois anos, os brasileiros escolhem quem vai governar e quem vai fazer as leis.

As eleições se alternam: num ano escolhemos presidente, governadores, senadores e deputados (eleições gerais, como 2026); dois anos depois, prefeitos e vereadores (eleições municipais). O voto é secreto e obrigatório para quem tem de 18 a 70 anos, e facultativo para quem tem 16 ou 17, mais de 70, ou não sabe ler. Cargos de chefe (presidente, governador, prefeito) e senador são decididos pelo sistema majoritário; deputados e vereadores, pelo proporcional.

Na prática: Em 2026 cada eleitor vota em seis cargos: deputado federal, deputado estadual (ou distrital no DF), senador, governador e presidente.

Urna eletrônica

O aparelho em que se vota no Brasil desde 1996.

O eleitor digita o número do candidato, confere a foto e confirma. Ao fim da votação, cada urna imprime um boletim com seus totais, que é afixado na seção e enviado ao TSE. Esses boletins são públicos, então qualquer pessoa pode conferir a soma.

Na prática: Para votar em legenda (só no partido), basta digitar os dois primeiros números do partido nos cargos de deputado.

Veja tambémApuraçãoTSE

Turno

Cada rodada de votação de uma eleição.

O 1º turno acontece no primeiro domingo de outubro. Se nenhum candidato a presidente, governador ou prefeito (em cidades com mais de 200 mil eleitores) tiver mais da metade dos votos válidos, há um 2º turno no último domingo do mês.

Na prática: Deputados e senadores são decididos sempre no 1º turno.

2º turno

A disputa final entre os dois mais votados quando ninguém passou de 50% dos votos válidos.

Só os dois candidatos com mais votos no 1º turno continuam. Vence quem tiver mais votos válidos. Vale para presidente, governador e prefeito de cidades com mais de 200 mil eleitores.

Na prática: O selo “2º TURNO” na Base indica quem segue na disputa.

Candidatura

O registro de alguém que quer disputar um cargo.

Para concorrer é preciso estar filiado a um partido, ter domicílio eleitoral no local da disputa e cumprir requisitos como idade mínima. O partido pede o registro e a Justiça Eleitoral decide se a candidatura é apta (pode receber votos) ou indeferida.

Na prática: Idade mínima: 35 anos para presidente e senador, 30 para governador, 21 para deputado e prefeito, 18 para vereador.

Mandato

O período em que a pessoa eleita ocupa o cargo.

A maioria dos mandatos dura quatro anos. A exceção é o senador, com oito anos. Presidente, governador e prefeito podem ser reeleitos uma vez seguida; parlamentares podem ser reeleitos quantas vezes conseguirem.

Na prática: Quem for eleito em 2026 toma posse em janeiro (Executivo) ou fevereiro (Legislativo) de 2027.

Sistema majoritário

Ganha quem tem mais votos. Simples assim.

É usado para presidente, governador, prefeito e senador. Para os chefes do Executivo, é preciso a maioria absoluta dos votos válidos (mais de 50%) ou vencer no 2º turno. Para senador basta ter mais votos que os outros (maioria simples).

Na prática: Em 2026 cada estado elege dois senadores: os dois mais votados ficam com as vagas.

Sistema proporcional

As vagas são divididas entre os partidos conforme o tamanho da votação de cada um.

Usado para deputados e vereadores. Primeiro se soma o voto de todos os candidatos e da legenda de cada partido; depois as cadeiras são repartidas na proporção desses votos, usando o quociente eleitoral. Dentro de cada partido, ficam com as vagas os candidatos mais votados.

Na prática: Por isso um candidato muito votado pode ajudar a eleger colegas de partido, e alguém com muitos votos pode ficar de fora se o partido não atingiu o mínimo.

Votos e apuração

Votos válidos

Os votos dados a um candidato ou a um partido. Brancos e nulos não entram.

É sobre os votos válidos que se calculam as porcentagens oficiais e se decide se alguém venceu no 1º turno. Votos em branco e nulos são contados, mas não favorecem ninguém.

Na prática: Com 100 votos, sendo 10 brancos e 10 nulos, há 80 válidos: um candidato precisa de 41 para vencer no 1º turno.

Voto em branco

Quando o eleitor aperta a tecla BRANCO e não escolhe ninguém.

Desde 1997 o voto em branco não vai para o candidato que está ganhando nem para ninguém: ele simplesmente não entra nos votos válidos.

Na prática: Branco e nulo têm, na prática, o mesmo efeito no resultado.

Voto nulo

Quando o eleitor digita um número que não existe e confirma.

O voto nulo também fica fora dos votos válidos. É um mito que muitos votos nulos anulam a eleição: a eleição só é refeita se for anulada pela Justiça por fraude ou cassação, não pela quantidade de nulos.

Na prática: Digitar 00 e confirmar gera um voto nulo.

Abstenção

Eleitores que podiam votar, mas não foram.

Quem é obrigado a votar e falta precisa justificar a ausência ou pagar uma pequena multa. A abstenção é mostrada como número absoluto e como porcentagem do eleitorado.

Na prática: Abstenção + comparecimento = eleitorado total.

Comparecimento

Quantos eleitores realmente foram votar.

Inclui todos que votaram, mesmo em branco ou nulo. É o contrário da abstenção.

Na prática: Um comparecimento de 80% significa que 8 em cada 10 eleitores votaram.

Eleitorado

Todas as pessoas com título de eleitor aptas a votar num lugar.

O eleitorado é definido pelo cadastro da Justiça Eleitoral e fechado alguns meses antes da eleição. Ele serve de base para calcular comparecimento e abstenção.

Na prática: São Paulo tem o maior eleitorado do país; Roraima, o menor.

Apuração

A contagem dos votos depois que as urnas fecham.

Cada urna envia seus resultados ao TSE, que soma tudo (a totalização) e divulga em tempo real. Como as urnas chegam aos poucos, as porcentagens mudam durante a noite até a apuração chegar a 100%.

Na prática: Na Base, o selo “AO VIVO” mostra que a apuração ainda está em andamento.

Como as vagas são distribuídas

Quociente eleitoral

Quantos votos “custa” uma vaga de deputado ou vereador.

É o total de votos válidos dividido pelo número de vagas em disputa. Um partido só entra na divisão principal das cadeiras se alcançar esse número somando os votos de todos os seus candidatos e da legenda.

Na prática: Se um estado tem 1 milhão de votos válidos e 10 vagas, o quociente eleitoral é 100 mil votos.

Quociente partidário

Quantas vagas cada partido ganha direto.

É a votação total do partido dividida pelo quociente eleitoral, desprezando a parte decimal. O resultado é o número de cadeiras que o partido conquista nessa primeira etapa.

Na prática: Um partido com 350 mil votos, num quociente de 100 mil, ganha 3 vagas direto.

Eleito por QP

Eleito numa das vagas que o partido ganhou direto pelo quociente partidário.

QP é a sigla de quociente partidário. Quando o partido conquista, por exemplo, 3 vagas, os 3 candidatos mais votados dele são “eleitos por QP”, desde que cada um tenha pelo menos 10% do quociente eleitoral em votos próprios.

Na prática: É o jeito mais comum de um deputado ou vereador ser eleito.

Eleito por média

Eleito numa das vagas que sobraram depois da divisão pelo quociente.

Como a divisão quase nunca é exata, sobram cadeiras. Elas são distribuídas uma a uma pelo cálculo das maiores médias: a votação do partido é dividida pelo número de vagas que já tem mais um, e quem tiver a maior média leva a próxima. Para disputar essas sobras, o candidato precisa de pelo menos 20% do quociente eleitoral.

Na prática: Também é chamada de vaga “de sobra”.

Suplente

Quem não foi eleito, mas fica na fila para assumir se surgir uma vaga.

Nas eleições proporcionais, os suplentes são os candidatos mais votados do partido que ficaram sem cadeira, em ordem de votos. No Senado, cada candidato já concorre com dois suplentes definidos na chapa.

Na prática: Se um deputado vira ministro, o primeiro suplente do partido assume o mandato.

Não eleito

Candidato que não conquistou vaga nem ficou como suplente.

Na Base, a foto de quem não foi eleito aparece em preto e branco depois que o TSE divulga a situação final.

Na prática: Durante a apuração, a situação fica em branco até o resultado sair.

Partidos

Partido político

Grupo organizado de pessoas com ideias parecidas que disputa eleições.

No Brasil não existe candidatura avulsa: todo candidato precisa estar filiado a um partido. Os partidos escolhem os candidatos, recebem dinheiro público para campanhas e funcionamento e organizam a atuação dos eleitos no Legislativo. Cada partido tem uma sigla e um número.

Na prática: O número do candidato começa com o número do partido.

Federação partidária

União de partidos que funcionam como um só por pelo menos quatro anos.

Criadas em 2021, as federações valem em todo o país e continuam depois da eleição: os partidos precisam atuar juntos no Congresso durante todo o mandato. Nas eleições proporcionais, os votos da federação são somados como se fosse um único partido.

Na prática: Na Base, o nome da federação aparece junto às candidaturas.

Coligação

Aliança de partidos só para uma eleição majoritária.

Partidos podem se unir para apoiar o mesmo candidato a presidente, governador, senador ou prefeito. Diferente da federação, a coligação acaba depois da eleição. Desde 2020 ela não é mais permitida para deputados e vereadores.

Na prática: A chapa de um governador pode ter o vice de um partido aliado da coligação.

Bancada

O grupo de parlamentares de um mesmo partido, estado ou causa.

Fala-se em bancada de um partido (todos os deputados de uma sigla), de um estado (todos os deputados eleitos por ele) ou temática (parlamentares que defendem um mesmo tema). O tamanho das bancadas define a força de cada partido nas votações.

Na prática: A página de composição da Câmara mostra o tamanho de cada bancada.

Fundo Partidário e Fundo Eleitoral

Dinheiro público que financia os partidos e as campanhas.

O Fundo Partidário paga o dia a dia dos partidos todos os anos. O Fundo Eleitoral é distribuído nos anos de eleição para as campanhas. A divisão depende principalmente do tamanho das bancadas no Congresso.

Na prática: Empresas não podem doar para campanhas desde 2015; pessoas físicas podem, com limites.

Veja tambémPartido político

Cargos e o que cada um faz

Presidente da República

Chefe do país: governa, comanda o Executivo federal e representa o Brasil.

O presidente escolhe os ministros, propõe o orçamento, sanciona ou veta as leis aprovadas pelo Congresso, pode editar medidas provisórias e comanda as Forças Armadas. Também indica ministros do STF e conduz a política externa.

Na prática: Mandato de quatro anos, com direito a uma reeleição seguida.

Governador

Chefe do governo de um estado ou do Distrito Federal.

O governador cuida do que é responsabilidade do estado: segurança pública (polícias Militar e Civil), ensino médio, hospitais estaduais, estradas estaduais e presídios. Ele administra o orçamento do estado, escolhe os secretários e sanciona ou veta as leis aprovadas pela Assembleia Legislativa.

Na prática: Quando você vê uma viatura da PM ou uma escola estadual, é responsabilidade do governo do estado.

Senador

Representante do estado no Congresso, eleito por oito anos.

Cada estado e o DF têm três senadores, não importa o tamanho da população. Os senadores votam leis junto com a Câmara, aprovam autoridades (como ministros do STF e embaixadores) e julgam o presidente em caso de impeachment. A renovação alterna: um terço das vagas numa eleição, dois terços na seguinte.

Na prática: Em 2026 estão em disputa duas vagas por estado.

Deputado federal

Representante do povo na Câmara dos Deputados, em Brasília.

Deputados federais propõem e votam leis, aprovam o orçamento da União e fiscalizam o governo federal. São 513 no total; o número por estado depende da população, entre 8 e 70. São eleitos pelo sistema proporcional.

Na prática: São Paulo elege 70 deputados federais; os estados menores, 8.

Deputado estadual

Representante do povo na Assembleia Legislativa do estado.

Faz as leis estaduais, aprova o orçamento do estado e fiscaliza o governador. No Distrito Federal o cargo se chama deputado distrital. Também é eleito pelo sistema proporcional.

Na prática: Leis sobre o ICMS ou a carreira dos policiais estaduais passam pela Assembleia.

Prefeito

Chefe do governo de um município.

Cuida do que é da cidade: creches e ensino fundamental, postos de saúde, coleta de lixo, transporte público municipal, iluminação, ruas e calçadas. É eleito nas eleições municipais, que acontecem dois anos depois das gerais.

Na prática: O próximo pleito municipal será em 2028.

Veja tambémVereador2º turno

Vereador

Representante do povo na Câmara Municipal.

Faz as leis da cidade, aprova o orçamento municipal e fiscaliza o prefeito. O número de vereadores varia de 9 a 55, conforme a população. É eleito pelo sistema proporcional.

Na prática: Mudar o nome de uma rua ou o zoneamento de um bairro passa pela Câmara Municipal.

Vice

Quem substitui o titular quando ele se afasta ou deixa o cargo.

Presidente, governador e prefeito são eleitos em chapa com um vice, que pode ser de outro partido da coligação. O vice assume em viagens ou impedimentos e completa o mandato se o titular sair de vez.

Na prática: Ao votar no titular, você vota automaticamente no vice da chapa.

Instituições

Congresso Nacional

O Poder Legislativo federal: Câmara dos Deputados + Senado Federal.

É onde se fazem as leis do país, se aprova o orçamento e se fiscaliza o governo federal. Em geral um projeto passa pelas duas casas: uma começa e a outra revisa.

Na prática: Mudar a Constituição exige 3/5 dos votos nas duas casas, em dois turnos cada.

Câmara dos Deputados

A casa do Congresso que representa a população.

Reúne 513 deputados federais. Por ela começam a maioria dos projetos de lei, incluindo os do presidente. É também a Câmara que autoriza a abertura de um processo de impeachment.

Na prática: Veja a composição atual na seção Política da Base.

Senado Federal

A casa do Congresso que representa os estados.

Reúne 81 senadores, três por estado e pelo DF. Revisa os projetos aprovados pela Câmara, aprova nomes indicados pelo presidente e julga processos de impeachment.

Na prática: Cada estado tem o mesmo peso no Senado, de São Paulo a Roraima.

Assembleia Legislativa

O Legislativo de cada estado.

Formada pelos deputados estaduais, faz as leis do estado e fiscaliza o governador. No DF chama-se Câmara Legislativa.

Na prática: O número de deputados estaduais depende do número de deputados federais do estado.

STF

Supremo Tribunal Federal: a corte mais alta do país e guardiã da Constituição.

Tem 11 ministros, indicados pelo presidente e aprovados pelo Senado. Decide se leis e atos do governo respeitam a Constituição e julga autoridades como o presidente e parlamentares em crimes comuns.

Na prática: Os ministros podem ficar no cargo até os 75 anos.

TSE

Tribunal Superior Eleitoral: quem organiza e fiscaliza as eleições.

O TSE cuida das urnas, do cadastro de eleitores, do registro das candidaturas, da apuração e da divulgação oficial dos resultados. Nos estados, o trabalho é feito pelos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs).

Na prática: Os resultados na Base vêm dos dados abertos do TSE.

IBGE

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística: quem mede o Brasil.

Faz o Censo, calcula a inflação oficial (IPCA), o desemprego, o PIB e muitas outras estatísticas. A população medida pelo IBGE também define quantos deputados cada estado elege.

Na prática: Boa parte dos indicadores da Base vem do IBGE.

Dados da Base

Patrimônio declarado

Os bens que o candidato informa à Justiça Eleitoral ao se candidatar.

Todo candidato precisa listar seus bens (imóveis, carros, aplicações...) no registro da candidatura. Os valores são os declarados pela própria pessoa, normalmente pelo preço de compra, e não pelo valor de mercado.

Na prática: No perfil de cada político, a aba Patrimônio mostra a evolução entre eleições.

Veja tambémCandidaturaTSE

Indicador

Um número que resume algo sobre o país, como inflação ou desemprego.

Indicadores ajudam a acompanhar como o Brasil está mudando. Cada um tem uma fonte oficial, uma unidade (%, R$, pessoas) e uma data da última atualização.

Na prática: IPCA acumulado em 12 meses é o indicador oficial da inflação.

Série histórica

Os valores de um indicador ao longo do tempo.

Com a série histórica dá para comparar o valor de hoje com o de meses ou anos atrás e enxergar tendências.

Na prática: Os gráficos dos indicadores na Base mostram a série histórica completa.

Veja tambémIndicador

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